sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

É tudo uma questão de interesse. Se você quer, corra atrás. Não fique parado esperando as oportunidades caírem do céu, porque sinto muito ter que te dizer, isso nunca vai acontecer. Não adianta se lamentar do mal causado se nada fazes para conserta-lo. O único modo de chegar à algum lugar é dando o primeiro passo. A caminhada pode até ser longa, mas tudo é difícil demais até que comecemos. Então em vez de sentar ai com essa cara de pastel levante-se e aja como gente. Todo dia coisas ruins acontecem. Mas todo dia coisas boas acontecem também. E cabe a você saber como reagir as situações. Cabe a você se utilizar daquilo que a vida te deu para criar alguma coisa. O medo é grande, eu sei. Eu também temo. E maior ainda é a inercia. Mas a vida é uma só, e não há tempo o suficiente para que desperdicemos. Por isso corra. Corra atrás daquilo que você quer (só não esqueça de não atropelar ninguém no meio do caminho).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Flaws and all

Meu caderno tem tantos textos sobre você. Tantas cartas que escrevi sem nenhuma intenção de mandar. O engraçado é que eu continuo escrevendo. Não sei se na esperança que um dia você simplesmente as descubra, ou se porque preciso disso pra clarear meus pensamentos. Acho que um pouco dos dois.
Você acabou de entrar no elevador. Mas eu ainda posso sentir seu cheiro em mim. Ontem a noite foi lindo, de verdade. Eu tenho andado tão agitada nos últimos tempos, que só você pra me acalmar. E só você pra me tirar do sério. Tudo que você diz tem um efeito incrível sobre mim. Pro bem, ou pro mal.
É horrível não saber o que fazer. É horrível gostar de alguém e não poder ter essa pessoa. Eu acho que você nem sabe mas tanto do que você disse conseguiu me afastar. Não era pra ser assim. Mas fica difícil ficar ao seu lado competindo com tudo isso. Fica quase impossível não morrer de medo de te perder pra essas coisas tão fúteis.
Mas é fato, eu não posso mudar quem você é. Nem vou conseguir te aceitar assim. O que fazer? O que dizer?
Eu gosto tanto de você. Um gostar tão grande, mas tão grande que podia virar amor. Acho de certo modo já é um pouco. Se eu me distancio tanto é porque acho que vai ser mais fácil te esquecer assim. Tento mesmo me dizer que você é só mais um, que não pode ser tão difícil assim te deixar ir. Mas é. Eu nem sei o porquê, mas é.
Damn it. Por que você tem de ser assim?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Volta e meia me pego divida entre as coisas que fiz e as que deixei de fazer. É inevitável enfrentar o passado, mas manter-se presa a ele é imbecilidade. Fácil de falar, difícil de fazer. A verdade é que nem sempre a melhor coisa a se fazer é a mais certa, sendo a recíproca também verdadeira. (Me resta descobrir qual dos dois é você).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Ainda não

Uma caixinha de música tocava baixinho uma melodia que relembrava a época de criança, a antiga casa na Rua do Sol, as brincadeiras de pescaria, as brigas com os irmãos. Dentro dela havia lembranças, que vinham na forma de antigas figurinhas, bolinhas de gude, um pingente dado pelo primeiro namorado. Tantos anos passados, tanta coisa vivida.Na velha penteadeira se escondiam enfeites, escovas, maquiagem, jóias. Tudo em gavetas ou espalhado sobre a madeira antiga. Um espelho manchado refletia um rosto enrugado. Um rosto mais gasto que o quarto ao seu redor. Setenta e nove anos, ela contabilizava. Outrora uma atriz, uma dançarina, uma beleza encantadora, agora apenas um olhar cansado do mundo que o cerca. Apenas mais uma a tentar sobreviver sem se afogar nas mágoas que a vida trás, que a vida deixa, que nos impõe.
Na sala, seus filhos, seus netos, e agora, quem diria, sua bisneta, brincavam, conversavam, bebiam, cantavam. Todos muito empolgados, muito absortos em seus problemas, em seu próprio mundo pra perceber que alguém ali não estava bem nesse Natal. Para notar que nesse dia ela não se sentia ela, mas uma outra, uma impostora. Aquele rosto acabado não era seu. Ela era jovem, ávida, espirituosa, não decadente como agora se encontrava. Era triste perceber que o tempo havia passado e seu resultado estava marcado no rosto, no corpo, no coração.Olhando fixamente para o seu chá a esfriar sobre a mesa de cabeceira contendo agora adose de uma substância que aliviaria o peso em seus ombros.
Se levantou e caminhou até sua xícara, o seu destino.Foi interrompida por Fernanda, a sua bisneta, que com quatro anos segurava sua mão e a chamava pra brincar.-Vamos vovó, vamos ninguém mais quer brincar comigo, por favor, vovó.Fernanda falava tão direitinho, olhava e fazia beicinho de quem iria chorar se ouvisse um não. Ela não pôde negar. Então se levantou e acompanhou a criança até a casinha de boneca, decidindo que talvez, valesse a pena aguentar mais um pouquinho, esquecer toda tristeza, e dar tempo ao tempo para decidir quando sua hora havia mesmo de chegar.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Tem gente que acha que sabe - o que deve ser feito, como deve ser feito, porque deve ser feito - sem sequer ter ouvido tudo que tem a ser dito. Muita gente que aparentemente sabe viver minha vida melhor que eu. E mais gente ainda disposta a colocar o dedo na minha cara e despejar todos os seus conceitos premeditados. O que eu não entendo, e acho que nunca vou entender é porque na hora de condenar me aparecem mil pessoas, mas quando preciso de ajuda nem uma permanece ao meu lado. O ser humano não se compadece, ele apenas toma gosto por controlar a vida dos outros. E por isso oferece, e por isso aconselha. Certa está minha mãe quando diz que não existe boa ação altruísta, porque, no final das contas, ninguém perdoa o bem que recebe. Passemos então a cobrar um bom pagamento por toda a nossa compaixão. E com juros, faz favor.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Seleção Natural

Me encontro às margens da teoria evolutiva de Darwin. Eu não me adaptei e pra ser bem sincera, nem acho que vou. Minha espécie é rara e logo logo vai entrar em extinção, é que são caçadores demais e a presa cansou de correr. A linha de chegada está distante demais e estou me contentando com o último lugar. Se eles brigam pelo pódio meu troféu sou eu quem faz. Quem vai conquistar minha felicidade senão eu mesma? Chega de sofrer para sobreviver, dane-se o mais forte, de onde venho fraqueza é virtude. Eu já desisti há muito tempo de lutar, o meu negócio agora é VIVER.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Sonho

Sonho real
acordado
possível
banal

Sonho voando
longe
correndo
cantando

Sonho por poder
sem poder
apesar de que
pode nunca se realizar

Sonho por querer
o prazer
de simplesmente
Sonhar.