É oficial: após seis dias de plena clausura, eu posso me considerar realmente ilúcida. O primeiro e segundo dias foram até relaxantes. Quer dizer, tão relaxantes quanto não poder mover sequer um músculo, numa dieta líquida, com as vias nasais completamente obstruídas pode ser. Mas que seja, eu dormi um bocado, reclamei mais ainda e ouvi minhas músicas em paz.
Mas do terceiro dia em diante, uma sexta, diga-se de passagem, quando todo mundo colocou suas roupinhas novas e saiu para badalar e eu fiquei em casa fungando e assistindo a maratona de Brazil's Next Top Model a coisa começou a ficar feia. Piorando consideravelmente no sábado a noite, quando todas as minhas amigas estavam respectivamente enchendo a cara e eu dava nomes às mascaras da parede da sala de estar.
Com a perspectiva de um natal tão animado quanto essa última semana eu ando com ânsias de me jogar pela janela. Veja, fim de ano não é uma época fácil pra mim, e nem é como se eu tivesse mesmo muitos convites de lugares pra ir nesse bendito feriado, mas a questão é: eu queria ter a opção de sair de casa.
Sair de casa eu posso, como minha mãe vem constantemente me lembrando. Ah sim, ela não sabe, não é mesmo, que sexta-feira, enquanto eu esperava pacientemente que ela viesse me buscar para ir ao médico (na vã esperança que ele removesse essa porcaria de curativo da minha cara) o pessoal que estava numa 'festa de arromba' aqui no prédio parou para observar o êtê aqui. Eles podem até achar que eu não reparei, mas dos cantinhos dos meus olhos inchados e azulados eu vi tudo.
Então, presa até segunda ordem eu me condeno à atividades alternativas para fugir ao tédio. Jogos de paciência intermináveis com Betsy (a máscara da ponta da direita que me lembra uma gueixa japonesa), conversas com as estatuetas do meu quarto e finalmente, o mais saudável de todos, encarar meu teto e ponderar sobre questões universais importantes como quantas árvores devem existir na floresta amazônica.
Não, não é exagero. Seis dias pode não parecem muito, mas experimente ficar em casa todo esse tempo sem fazer absolutamente nada e me diga depois o quanto você se diverte. Agora estou destinada a me encher de comida requentada na companhia da minha televisão de trinta e três polegadas (até minha mãe achou alguma coisa melhor pra fazer) enquanto o resto da cidade vai ser feliz com suas luzes, corais e animação.
EEEEEEEEEEEEEEU QUEEEEEEEEEEROOOO MEEEEEEU ROOOOOOOSTOOOO DE VOOOOOOLLLLLTTAAAAAAAA. será que isso é claro o suficiente?
(p.s. para não parecer ingrata demais, sim, eu estou feliz e não me arrependo nem um segundo, mas gente, até a Betsy está de saco cheio de mim.)
domingo, 23 de dezembro de 2007
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Apenas diga não
Negação é a melhor forma de aceitação. Eu não posso fechar meus olhos para aquilo que sei que está bem ali, mas eu tenho o poder de negar a realidade e assim faze-la inconstante e intocável. Posso esperar calada na esquina pelo dia que tudo irá desaparecer e compreender aquilo que ninguém nunca explorou a fundo. Não é mais tempo de abaixar a cabeça e ir com a corrente. Eu continuo me prendendo ao que resta. Eu nego o que os outros parecem admirar. Não e o lugar-comum que me possuirá, eu não posso e não serei domada. A liberdade fala mais alto que qualquer ordem recém proferida. Esqueça seus livros bem redigidos, eu posso mais. Eu posso BEM mais do que qualquer ditador meia-boca. As imagens estão distorcidas e meus conceitos fazem bem mais sentido. Eu entendo bem melhor agora.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
O monstro
Debaixo da cama se escondia uma pequena menina. Ela estava tão quieta que ninguém poderia aperceber-se de sua presença ali. Mal respirava. Tapava os ouvidos para não ouvir todo aquele mal, e os olhos para não ver o monstro. E este não vinha do armário, e nem de debaixo da cama. Este monstro era pior que todos os outros. Todos aqueles monstros que habitam nos contos infantis não podiam se comparar a ele. Porque ele machucava e batia. Ele fazia sangrar. Este mostro não era piedoso. E a história não iria terminar com um final feliz. Por quatro noites seguidas a menininha esteve escondida. E ela não ousou mover-se. E ela não ousou chorar. O medo era tanto que ela apenas parada ficou. Ela ficou a esperar. Talvez ajuda, mas essa não veio. Na quinta noite ela ouviu atentamente os gritos e as tapas. Ouviu um estampido seguido por outro e antecedido por choro. Então ela saiu de seu refúgio e cambaleante caminhou até a sala. No chão havia dor, havia sangue, haviam dois corpos. Sua mãe, e o mostro, seu pai.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Trapped
I am willing to wait for you. I have been. Even though when I wait, time seems to stop. Defying the laws of modern physics, to me, last month lasted for at least a whole year. No joke. And still, every time I talked to you, or heard your voice things seemed to improve. I spent so many hours thinking about the next time I will be able to see you. Your memory makes easier for me to fight the long nights that seem unwilling to go away and let another ever lasting day begin. And, ironically, that same memory keeps me stuck on hours, minutes, seconds that crawl through the clock, making it impossible for me to live my life. And I don’t know how to react anymore. There are still 18 more months to come, and to be honest, I can’t keep doing this. I don’t want to give up on you, but I am afraid that if I don’t my world will keep getting smaller and resuming basically, to you. And I wasn’t made to be that way, I love my freedom, and I love not have to take care of anybody but myself. And I know that is not what you are asking me, but that’s what I seem to be wanting to do. I know that I’ll miss you even more if I do let you go, but maybe it’s easier to live all the pain just once and only once, than to divide it in a million pieces and get trapped on each one. The truth is, it is just too complicated.
domingo, 16 de dezembro de 2007
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