quinta-feira, 4 de junho de 2009

if you let him get into your skin (don't be afraid)

Eu tenho medo do que eu sinto por você. E eu tenho mais medo ainda do que você pode não sentir por mim. É horrível quando a gente se abre assim, deixando tudo a mostra, permitindo que qualquer um entre e faça morada dentro de nós. Porque depois que esse alguém descobre que nosso aluguel é muito caro, ou que o nosso coração é mesmo muito bagunçado e mal pintado ele resolve se mudar. E fica vazio. Muito vazio. Um vazio que eu nunca perceberia que tinha, se não fosse você pra me mostrar que não se pode ser feliz sozinha. Então eu vou lá e tento reconstruir todas as maldidas paredes que você insistiu em quebrar. Só que na sua pressa de partir você acabou deixando pra trás um pedaço de si.
Agora, no meio do caos no qual se encontram meus sentimentos, eu não consigo mais distinguir o que era antes e o que é agora. Porque agora eu sou você. Agora eu gosto mais de café preto do que de latte, porque você me acostumou assim. Agora eu escuto sempre àquela banda irlandesa, porque você me acostumou assim. Agora eu compro incenso de canela com açúcar, porque você me acostumou assim. Agora eu não sei mais quem eu era ou o que eu gostava de fazer, porque você me acostumou assim.
E as paredes continuam no chão e eu pareço cada vez menor no vão imenso que ficou. Eu pareço diminuir a cada dia diante do medo que eu tenho de não te achar nunca mais.

(poema antecedente e este texto fazem parte de um acervo muito, muito antigo. resolvi colocar dessas relíquias por aqui).

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Depois do pôr-do-sol

The Sun is going down
The orange sky is fading away
On its place there's a lonely dark
Blue with shades of gray

It's raining again
And I didn't make home
Waited for so many hours
And still you didn't come

My hair and clothes are wet
My make up is long gone
I'm trying not to let get me
The thoughts that you forgot

You said you would be here
So I waited on the same spot
Where on your knees my hand you got
And asked me to be to your girl

Its seems so long ago
The time when we were happy
Today you let me go
But I still hold tight to the memories

terça-feira, 2 de junho de 2009

Poema do Beco (ou) O Escafandro e a Borboleta

Acho que todo mundo passa por momentos de escafandro. Eu estou passando por um agora. É como se tudo que eu fizesse fosse muito... limitado (talvez convencional fosse a melhor palavra). Meu curso, meus relacionamentos, minhas leituras, minhas opiniões... é tudo muito normal. A vida não é como nos livros, cheia de situações inusitadas, pessoas diferentes e portas que se abrem a todo momento. É isso que dá gostar demais de ler romances. E de ver filmes. E de ver seriados. A gente acaba inconformado com a mesmice da nossa vida. Parece infantil, eu sei. Mas quem nunca se perguntou se estava fazendo as coisas certas? Ou melhor dizendo, as coisas erradas, ou mesmo coisa alguma, contanto que fosse algo que marcasse, que mudasse, que.... E a vida não tem final feliz, tem? Não do jeito dos contos. (mais uma vez, é isso que dá viver mergulhada em literatura).
Escafandro. Sim. Preso. Sem poder sair. Só observando o circular do mundo lá fora.
Agora eu sei que posso responder o que minha aluna me perguntou ontem sobre o que Manuel Bandeira quis dizer com “Vou me embora para Pasárgada”. Ele o diz novamente no poema com o mesmo título desse texto:
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha
[do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.
Em Pasárgada não. Lá “a existência é uma aventura”. Em Pasárgada a vida é Borboleta.
Borboleta. Sim. Livre para voar. Para experimentar. Para viver.

(mas não quero ser ingrata. sendo a conformista que por vezes sou, estou demasiadamente feliz com minha vida escafandro, porque às vezes, sim, muitas vezes até, me permito ter momentos borboleta).

quarta-feira, 27 de maio de 2009

camila diz:

Bruna: O gênio em potencial. Herdara uma genialidade fantástica, e de quebra, um apreço pelo esforço e trabalho. Logo nova, já demonstrava sinais de que não era como a maioria. Às vezes isso a levava à loucura, por ter tanto o que fazer.Era doce, e sempre esteve lá quando precisei. Conheci-a quando pequena, mas só estabelecemos conexão real depois dos quinze. Sempre foi muito mãe, mas nunca o quis. Sempre afirmou que não queria muitas crianças, embora fosse ser maravilhosa com elas, se as quisesse - creio que ainda será, um dia.Humor afiado, jeito bobo mas sóbrio e uma fé inestimável. Uma fé que muitos questionavam, mas eu não. Apesar de não acreditar no mesmo que ela, sempre achei que a fé fosse fazer dela uma pessoa melhor, mais sensata. E faz. Ninguém possui a propriedade de julgamento que ela domina.Sempre muito próxima da mãe, não do pai. Isso a fez um pouco mais forte, mas ao mesmo tempo um pouco desconfiada. Perfeitamente aceitável.Manias de limpeza, organização, pautamento, tabelamento, listamento, fichamento, estudo, teoria e prática. Metódica e simples, era assim no dia-a-dia, mas com um toque de palhacisse. Falava meigo no telefone, exceto quando sentia raiva. Mas era raro, pelo menos comigo.




(apesar de certos exageros, como o do "gênio em potêncial", captou muito bem o que sou. sentimental que sou, não pudia deixar de colocar aqui e de dizer que tu és uma das pessoas mais importantes da minha vida, vou tentar retribuir um texto tão lindo um dia desses, mas sem promessas... hehe. amo vc!)

terça-feira, 26 de maio de 2009

love killed my brain

Bem, meus pensamentos tendem a ser os mais alheios possíveis. Mas dessa vez acho que me superei. Agora, durante o almoço, assistindo MTV (morte ao Vídeo Show!) começou um clipe de Paramore (que eu nem gosto nem desgosto porque, na verdade, nunca me interessei em ouvir). Enfim, o clipe era da trilha sonora de Crepúsculo (!!!!) e portanto, mereceu meu interesse. Mas, bem, como dito acima, fiz conexões diversas e acabei por me lembrar de uma frase de Oscar Wilde que eu sempre achei genial (como muitas das outras coisas que ele escreve): “Um homem pode ser feliz com qualquer mulher, até o dia em que começar a amá-la.”
Pois bem. As pessoas que mais se gostam não podem ficar juntas. Eu sei que muitas das coisas ditas nesse blog parecem pessimistas, céticas, deprimentes. Mas não sei, parece que tem um pouco de verdade nisso tudo (pouco que, por sinal, um gênio como Oscar Wilde também percebeu, e eu, pobre mortal, coincidentemente também notei). Quando um homem gosta demais de uma mulher ele tende a se tornar possessivo, ciumento, inibidor, até. Quando o sentimento é presente, mas tênue, o relacionamento tende a ser mais equilibrado, porque ele consegue respeitar o espaço dela. A mesma coisa com uma mulher. Ela tende a ficar histérica, insegura, questionadora ao estremo. Relacionamentos não funcionam assim. O sentimento, quando é demais, sufoca (já dizia Clarice). Paixão é um mal. Um mal que tende a destruir todos os relacionamentos. Ninguém pode conviver muito tempo com o “grande amor”, porque pode perder a sanidade. Querer demais alguém é prejudicial porque sempre há uma tendência a se colocar aquela pessoa acima de si mesmo. E isso nunca é bom.
Então fuja do amor da sua vida. Correndo, pro seu próprio bem. Procure antes alguém que goste de você e de quem você goste, mas sem grandes exageros.

Sim, mas e caso de surgir a pergunta “o que Paramore e Crepúsculo têm a ver com tudo isso?”, eu resumo minha longa conexão mental em poucas palavras: acho que não vale tanto a pena assim ter um Edward Cullen, after all.

(ah, sim, o título é de Clarah A.)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

I keep on waiting

O pior é que eu não consigo mais lembrar a sua voz. Ou o teu cheiro, ou ao menos os detalhes da tua fisionomia. Sei de características mecânicas, coisas que a gente sabe por saber e que, por alguma razão estranha, nunca esquece. Mas não te conheço mais. Não sei mais se ainda és aquele alguém que um dia me ensinou a ser uma pessoa digna de orgulho, que valorizava o esforço acima de tudo, que tinha um humor negro tão parecido com o meu.
Hoje eu faço o que faço por você. Se eu estudo, se me interesso por cultura, se dou valor ao conhecimento, é tudo por você. Porque um dia eu espero que você me diga: 'que orgulho eu sinto de você'. E se não for capaz de dize-lo, tudo bem, eu ficaria feliz em saber que você assim o pensa. Eu vou esperar eternamente o dia que você vai superar a mágoa que corroe teu peito (essa mágoa que destroi todos que estão ao teu redor). Porque quem ama espera. Eu sei que não preciso disso. Eu nem quero isso para mim, mas eu amo você. E é assim que o amor nos faz agir, altruísticamente.
Eu só quero, eu sempre quis uma só coisa: te ver bem e feliz. Se eu te atrapalhei nesse percurso, eu sinto muito, minhas intenções sempre foram as melhores. E não esqueça, que vai ter sempre alguém aqui por você. Não importa o que você faça ou deixe de fazer. Eu te amo pelo amor, e isso basta ao meu coração.

terça-feira, 12 de maio de 2009

alegria, alegria

Tava tudo muito pra baixo aqui, tem que sacudir a poeira.
Ainda há esperança. Ainda há leopardos fêmeas tomando conta de bebês babuinos!